Johnny Depp, libertino ou libertário?
À espera de Piratas do Caribe 2, ele pode ser visto na pele do poeta John Wilmot
A duas semanas da estréia de Piratas do Caribe 2 - O Baú da Morte (no dia 21), você pode ver Johnny Depp em outro filme de época que estreou ontem. Não é bem uma aventura. O Libertino, de Laurence Dunmore, é obra intelectualmente mais ambiciosa, o que não significa que seja melhor. Logo na abertura, falando diretamente para o espectador, Depp diz que o público não vai gostar dele. Os homens vão invejá-lo, as mulheres vão sentir nojo.
Baseado num personagem que existiu de verdade, o poeta John Wilmot, segundo conde de Rochester, O Libertino conta a história desse homem consumido pela realização de seus desejos. Beberrão, conquistador inveterado, ele se interessa por uma jovem atriz, a quem decide transformar em estrela. E tudo isso ocorre no momento em que o próprio rei Charles II, que o banira, o chama de volta para Londres, a fim de atribuir-lhe uma função decisiva no Parlamento, em plena Restauração.
Talvez o grande problema de O Libertino seja mesmo a participação de Johnny Depp, ótimo ator, mas que não tem physique du rôle para o papel. Laurence Dunmore talvez quisesse justamente jogar com o estranhamento que produz a cândida figura de Eduardo Mãos-de-Tesoura brandindo todas aquelas obscenidades. Depp sai-se melhor como o pirata efeminado Jack Sparrow. Mas o filme passa, vagamente, a idéia de que libertino tem a mesma raiz de liberdade. Quando se luta por ela, não importa em que plano, se arrisca a pagar um preço, por isso.
Por Luiz Carlos Merten - (Estado de São Paulo)
posted by Marfil at 7:38 AM