![]() Há vários motivos para assistir um filme: pelo espetáculo, pelo riso, pela arte. E então há pessoas. Não pessoas que vão assistir aos filmes, mas as do próprio filme! Os personagens conjurados pelo ator que interpreta palavras do escritor, guiadas pelo diretor, através da celulóide do fotográfo, projetado na tela por um feixe de luz. Assim muitos nos convencem à acreditar de fato nessas pessoas tanto quanto nós acreditamos em...bem, essa é a magia! Isso é SPOILER! Isso é cinema! |
30.7.04
"Hellboy" é uma homenagem e uma sátira ao gênero A moda dos filmes baseados em histórias em quadrinhos começa a dar um tipo diferente de fruto. Depois de blockbusters milionários, com adaptações de personagens famosos que são conhecidos há décadas, e de produções pequenas, saídas de HQs independentes, surge nos cinemas Hellboy, o primeiro super-herói autoral a chegar às telas.
Diferente de Homem-Aranha, Batman ou X-Men, Hellboy não pertence a uma grande companhia multinacional. Nem ao menos teve milhares de equipes criativas diferentes durante suas quatro ou cinco décadas de publicação. O dono de Hellboy é um só, o quadrinhista Mike Mignola, o que garante o padrão de qualidade de toda a série. Segundo Mignola, o argumento de "Hellboy" é uma colagem de tudo o que ele mais gostava de ler quando criança: pulps de terror, histórias de vampiros, lendas do folclore nórdico etc. Com o importante detalhe de que, consciente do ridículo de algumas dessas lendas, "Hellboy" é ao mesmo tempo uma homenagem e uma sátira ao gênero. A iconografia gótica e a pesquisa detalhada que o autor realiza para cada história servem, assim, apenas como (estiloso) pano de fundo para as lutas do personagem. Por vezes muito menos físicas do que psicológicas: apesar de seus 60 anos de vida na Terra, Hellboy é só um garotão que esconde o cigarro do pai e não sabe a hora certa de "chegar" na garota que ama. Um longa-metragem repleto de efeitos especiais, explosões e brigas intermináveis pode não ser a melhor maneira de tirar tais conclusões --ainda que Mignola tenha acompanhado de perto a produção do filme. Provavelmente não é culpa dos atores, nem do diretor, muito menos de você, espectador. É só que, em menos de uma década de existência, nem mesmo Hellboy sabe ao certo de onde veio, por que veio e para onde vai. Aí está o seu charme. Em tempo: se tudo o mais falhar, vale lembrar que "Hellboy", o filme, já é a décima adaptação dos quadrinhos para o cinema desde 98, quando o desconhecido "Blade", da Marvel, demonstrou o potencial de sucesso da fórmula --ironicamente desgastada após uma série de adaptações fracas de "Batman". E, como filme do gênero super-heróis, até que o diabão se sai muito bem, obrigado. O diretor mexicano Guillermo del Toro faz toda a diferença: ele impôs integridade criativa a essa versão do universo de Mignola, acertou na escolha do ator Ron Perlman e inaugurou uma franquia charmosa e cheia de personalidade - a continuação está programada para 2006 28.7.04
Novo 'Guerra nas Estrelas' será 'Vingança dos Sith'A produtora americana de cinema Lucasfilm anunciou que o terceiro episódio da saga Guerra nas Estrelas vai ser chamar Revenge of the Sith ("Vingança dos Sith", em tradução livre). "Já faz algum tempo que o título do novo filme vem sendo alvo de especulações por parte dos fãs da série", disse Steve Sansweet, diretor de relacionamento da Lucasfilm, durante uma convenção internacional de ficção científica, em Los Angeles. "Vamos então iniciar a polêmica", concluiu, tirando um blusão e exibindo uma camiseta com o logotipo da nova aventura. O filme, cujo lançamento está previsto para maio de 2005, fecha a primeira parte da saga criada por George Lucas nos anos 70. Agora, os fãs vão descobrir como o jovem Jedi Anakin Skywalker se torna o grande vilão Darth Vader, personagem dos três filmes da segunda parte da série. A saga foi iniciada em 1977, com Guerra nas Estrelas, depois rebatizado de Guerra nas Estrelas - Episódio 4: Uma Nova Esperança. Em seguida vieram O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. Em 1999, veio o que seria o primeiro episódio da saga da família Skywalker, A Ameaça Fantasma. Sua seqüência, Ataque dos Clones, estreou em 2002. 26.7.04
Ashton Kutcher volta ao tempo em "Efeito Borboleta" Ashton Kutcher é um dos jovens galãs de Hollywood. Aos 26 anos, é um dos atores de maior sucesso nas comédias teen -- como "Cara, Cadê Meu Carro?" (2000), "Recém-Casados" (2003) e "A Filha do Chefe" (2003) -- e também no famoso seriado de TV "That '70s Show", sempre fazendo o papel de um abobado que, apesar disso, comove o coração das garotinhas.
Na vida real, o ex-estudante de engenharia bioquímica da Universidade de Iowa conquistou ninguém menos do que Demi Moore, 42 anos, um dos sex symbols das décadas de 1980 e 1990, em filmes como "Ghost", "Proposta Indecente" e "Striptease". Tanto sucesso transformou Kutcher também em produtor -- função que ele teve tanto em "A Filha do Chefe" quanto em "Efeito Borboleta", que estreiou no Brasil nesta sexta-feira. Mistura de suspense e ficção científica, com um tempero de drama e até de comédia aqui e ali, o filme dos diretores-roteiristas Eric Bress e J. Mackye Gruber coloca em ação uma trama fincada no tema da viagem do tempo para consertar os erros do passado. O herói é Evan (Kutcher), um estudante de psicologia que tem lapsos de memória e um diário cheio de lacunas. Ele foi um menino que causou muita preocupação à mãe (Melora Walters) por seus desenhos sinistros e reações inesperadas -- como ser pego com uma faca de cozinha na mão e não saber explicar porquê. Além dessa bagagem emocional complicada, o jovem Evan arranja mais encrencas na adolescência. Ele pertence a uma turma formada pela garota Kayleight (Amy Smart), seu irmão violento Tommy (William Lee Scott) e um gordinho tímido, Lenny (Elden Hensen). Um dia, eles resolvem colocar dinamite numa caixa de correio. Bem na hora da explosão, vai chegar alguém e isso muda a vida de todos para pior. Anos depois, Evan não tem memória do que realmente aconteceu naquele dia. Mas vai conseguir descobrir, assim como também um jeito de voltar no passado e procurar apagar todos os danos causados. Não é má idéia. O problema é que, neste tipo de fantasia, é preciso controlar as coisas no limite da credibilidade. E isto o filme não consegue. São tantas idas e vindas de Evan entre passado e presente, a cada vez piorando alguma coisa que pretendia melhorar, que tudo fica realmente confuso e inacreditável demais. Humor, quando existe, tende mais para o patético. Nem originalidade os roteiristas podem alegar. Só para ficar num exemplo, o escritor norte-americano Ray Bradbury explorou infinitamente melhor a idéia de que, numa viagem ao passado, pisar numa única borboleta pode mudar o futuro da humanidade -- no conto "Um Som de Trovão", parte da coletânea "Contos de Dinossauros" (publicada em 1993 pela Editora Artes e Ofícios). Aqui, nem se consegue fazer um filme muito interessante. Mas os fãs ardorosos de Ashton Kutcher podem até nem reparar muito nisso. 18.7.04
"Meu nome é trabalho", diz Matt DamonAtor está nas seqüências "A Supremacia Bourne" e "Doze Homens e um Segredo" Matt Damon admite que a antiga descrição de só trabalho/nenhuma diversão pode se aplicar a ele. Mas talvez o resultado não seja tão chato. Apesar de o ator de 33 anos ter trabalhado constantemente nos últimos anos, ele é tão interessante hoje quanto em 1997, quando Damon e o amigo de infância Ben Affleck tornaram-se estrelas (e logo depois, roteiristas premiados com um Oscar) com "Gênio Indomável". Em 2004, saem as continuações dos recentes sucessos "A Identidade Bourne" e "Onze Homens e um Segredo", e não há nada de exagerado na carreira de Damon no momento. Há também no horizonte filmes resultantes das tendências pensativas e experimentais do ator -um filme dirigido por Terry Gilliam, sobre os irmãos Grimm, e "Syriana", um filme sobre a política de petróleo, do autor de "Traffic" (Steven Soderbergh, também diretor de "Doze Homens e um Segredo", a continuação de "Onze"). Damon insiste, convincentemente, que está se divertindo muito. Outros não estão tão certos. "Matt é muito concentrado; muito, muito sério e responsável com seu trabalho. Ele trabalha muito. Algumas vezes, você sai para jantar depois das filmagens, e ele não para de falar em trabalho. Ele repassa o que fizemos durante o dia e fala sobre o dia seguinte. Você quer sacudi-lo e dizer: 'Ao menos por meia hora, vamos falar de outra coisa!'", observa Franka Potente, atriz alemã que faz o papel do amor do assassino da CIA com amnésia, Jason Bourne, em "Identidade" e no novo "A Supremacia Bourne", que estreou nesta sexta-feira (16/07) nos cinemas dos EUA. "Sim, acho que faço isso", admite Damon sem se sentir culpado. "Mas, sem querer generalizar, também acho que é uma forma de ser americana. À noite, se temos um jantar ou algo assim, o diretor ou o produtor e eu sempre estamos em um canto, repassando as coisas, porque elas sempre podem ser melhoradas. Franka dizia: 'Vocês não podem parar? Bebam um copo de vinho!' A realidade é que o trabalho não parece enfadonho para mim. É realmente uma diversão." O diretor britânico de "Supremacia", Paul Greengrass, apreciou o vício de trabalhar de sua estrela -e sua habilidade de se divertir com isso. "Nos esbaldamos; acho que isso foi o principal", diz Greengrass, veterano de documentários ("Domingo Sangrento"). Jason Bourne Apesar de os filmes de Bourne serem inegavelmente de ação, a série é mais inteligente do que a atual leva de aventuras escapistas de Hollywood. Livremente adaptados dos populares romances da Guerra Fria de Robert Ludlum, os filmes apresentam Damon como Jason Bourne, agente supersecreto do governo que perdeu sua memória -e não gosta das coisas que descobre sobre seu passado, enquanto foge de atentados contra sua vida. Em "Supremacia", Bourne é vítima de uma armação para incriminá-lo por algo que não cometeu. Ele sofre uma perda devastadora e percorre de Munique a Moscou em busca de vingança. Gradualmente, ele entende que cometeu pecados terríveis que precisa reparar. Para Damon, que é filho de um professor em Boston e que estudou em Harvard e só precisaria de mais 12 créditos para se graduar, os demônios escondidos na psique de Bourne dão aos filmes uma interessante dimensão extra. "Ele é um sujeito complexo", diz o ator. "Gosto do fato de ele ter falhas profundas, ter seu passado negro e estar tentando entender o que fez. E ele realmente está tentando voltar para a humanidade." Antes de "A Identidade Bourne" estrear, há dois verões, os analistas riam até da sugestão de uma seqüência para o filme. "Identidade" foi dirigido por Doug Liman, que, como Greengrass, era veterano de brilhantes produções alternativas, como "Swingers" e sobretudo "Go - Vamos Nessa". O diretor fazia sua primeira grande produção de Hollywood. Assim, o filme sofreu com muitos conflitos e extensas refilmagens. Mesmo assim, o produto final se provou um surpreendente sucesso de verão, e seu DVD foi o mais alugado do ano seguinte. "Os sinais da indústria eram: 'Meu Deus, essa coisa vai ser horrível'", lembra-se Damon. "Na época, ninguém verdadeiramente estava me oferecendo papéis. Então fui e fiz uma peça em Londres. Fechamos em uma noite de sábado e 'Bourne' tinha começado naquela sexta-feira. Quando voltei para Nova York, havia cerca de 30 ofertas de roteiros." Os tempos de seca tinham começado muito antes de "Bourne" parecer problemático. O sucesso de "Gênio Indomável" abriu para Damon uma série de projetos interessantes, como "Cartas na Mesa", e o belo e complexo "O Talentoso Ripley". Damon também esteve em "Lendas da Vida", "Espírito Selvagem"- que se tornaram comerciais ou desapontamentos artísticos. Os sucessos desse período, como "O Resgate do Soldado Ryan", "Dogma" e "Onze Homens e um Segredo", foram esforços de grupo que colocavam Damon ao lado de estrelas maiores. "Em termos de sucesso, sempre foi meio tênue", admite Damon. "Não acho que ninguém se sente realmente seguro". Mesmo assim, ironicamente, nos últimos dois anos ele conseguiu a difícil tarefa de estabelecer boa credibilidade em bilheteria sem trair seu impulso de fazer os filmes mais interessantes possíveis (depois de "Onze Homens", ele foi direto para o Deserto do Mojave para fazer o experimental "Gerry", com o diretor de "Gênio Indomável", Gus Van Sant). Dessa forma, Damon parece estar vivendo a estratégia de seu amigo Affleck, que tem tendência mais comercial: faça um para eles (eles sendo os executivos de estúdios e grande público) e alterne com um para você (o artista sério). Mas talvez não. "Obrigado por dizer isso, aliás", diz Damon, sinceramente. "Mas eu nunca tive uma estratégia. São coisas simples que me atraem: um bom roteiro, um bom diretor, um bom papel. "Não estou falando de Ben. Estou falando sobre como muitos artistas que conheço fazem decisões com base em uma estratégia. Eles fazem um filme porque acham que vai se dar muito bem nas bilheterias e, depois, fazem o que querem. Mas tantas vezes, nesses grandes filmes, todo mundo entra por essa mesma razão -e ninguém é apaixonado por ele. Então você acaba com um negócio realmente medíocre e caro, que morre na praia. E tudo que você tem realmente para mostrar é a perda do seu tempo -e sua carreira anda para trás". Esse tipo de maturidade aparece na vida pessoal de Damon com um lema que é mais ou menos assim: não corra atrás de atenção e assim não atrairá muito da má atenção. Hoje em dia, ele mantém sua vida amorosa discreta e evita os lugares quentes das celebridades, guarda costas e outras armadilhas de estrelas. Ele diz que pode sair na rua, ir ao cinema e restaurantes com um mínimo de confusão. "Eu entendo que, um dia, tudo isso irá embora", disse Matt Damon com um sorriso. "Fico tranqüilo com essa perspectiva. Enquanto isso, vou tentando fazer as coisas interessantes e diferentes -e que me desafiam." Fonte: Bob Strauss - Los Angeles Daily News 18/07/2004 Leia também: 12.7.04
Produtor confirma Indiana Jones IVResumo rápido da história: Indiana Jones IV foi confirmado oficialmente em 2002. George Lucas (produtor), Steven Spielberg (diretor) e Harrison Ford (ator) voltariam para a quarta aventura do arqueólogo aventureiro, que entraria em cartaz em 2006. Entretanto, a pré-produção do filme sofreu um abalo quando Frank Darabont, o roteirista, foi despedido do trabalho depois de entregar a versão final do roteiro, recusada por Lucas. Assim, Spielberg e Ford, que estavam reservando espaço em suas agendas para o início das filmagens, retomaram outros projetos e o filme voltava à estaca zero. Até agora, nenhum outro roteirista foi oficialmente anunciado, apesar de rumores indicarem que Stuart Beatie (Piratas do Caribe) estaria trabalhando na história. Semana passada, entretanto, o produtor Frank Marshall revelou ao IGN Filmforce que o projeto continua vivo, apesar de toda a boataria. "Indiana Jones IV continua no estágio de roteiro, o projeto está em andamento e o Sr. Lucas está atualmente trabalhando nele, com um escritor", revelou, negando-se a dizer o nome do profissional que está escrevendo o filme. "Obviamente, não vamos começar esse filme enquanto não tivermos certeza de que ele será incrível. Ninguém vai fazê-lo se não acharmos que será digno dos originais. Estamos trabalhando no último 1/3 da história. Depois, vamos reorganizar as agendas e tentar encontrar a data de início, mas ainda vai levar pelo menos mais um ano", concluiu o produtor, para o alívio dos fãs. |